Chuvas e enchentes de fim de ano causam doenças

Chuvas e enchentes de fim de ano causam doenças Quem mora ou passa por pontos de enchente ou alagamento causados por chuvas deve evitar o contato direto com a água suja. A orientação é da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo e tem o objetivo de prevenir o aparecimento de doenças como leptospirose, hepatite A, febre tifoide e diarreia, que podem aumentar nessa época do ano.

Os cuidados devem ser adotados por todos, principalmente por pessoas que moram em áreas com baixo saneamento básico. Algumas das dicas são proteger o pé com calçados, e até mesmo plástico; não ter contato com roedores (os principais transmissores); lavar bem os alimentos; observar a água ingerida e evitar acúmulo de entulhos em terrenos baldios.

Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria, a água contaminada é o principal meio de transmissão das doenças, por isso não utilizá-la e não ingeri-la é fundamental. “Deve-se evitar o contato com água de fontes ou minas inundadas por alagamentos ou enchentes. A água não deve ser aproveitada sem tratamento”.

Casas ou estabelecimentos inundados devem ser desinfetados, incluindo a limpeza das paredes, pisos e utensílios – com água sanitária (veja as orientações ao fim do texto).

Pessoas que entraram em contato com alagamentos ou inundações devem ficar atentas a sintomas como dor de cabeça, dor no corpo e náuseas, sintomas comuns à leptospirose, hepatite A, febre tifoide e diarreia. Se isso acontecer, ela deve procurar a unidade de saúde municipal mais perto de sua casa e informar ao médico que teve contato com água de enchente.

Principais doenças.

Chuvas e enchentes de fim de ano causam doenças Leptospirose: doença infecciosa grave causada pela bactéria Leptospira, eliminada principalmente pela urina dos ratos. A transmissão acontece por meio de contato com água ou lama contaminada. Os sintomas são febre, dor de cabeça, dor na panturrilha, fraqueza, sangramentos na pele e mucosa e insuficiência renal. Em 2011 houve 115 casos e em 2012, 103. Neste ano, há 17 registros até o momento.

Diarreia: pode ser causada por vírus ou bactérias. Ingestão de água ou alimentos contaminados são os maiores vilões. Fezes moles, aumento do número de evacuações, dor de barriga, vômito, náuseas e febre podem indicar a doença.

Febre tifoide: causada por bactéria e está relacionada a condições ruins de saneamento básico e higiene pessoal. É transmitida por meio de água e alimentos contaminados com fezes e urina de pessoas com a doença. Febre alta, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, intestino preso ou diarreia estão entre os principais sintomas.

Hepatite A: é uma doença que atinge o fígado, transmitida por meio de água ou alimentos contaminados. São sintomas da hepatite A: perda de apetite, febre, dores de cabeça, dor abdominal, mucosas e pele com cor amarelada e fezes brancas.

Limpeza em caso de alagamento.

Cuidados com a água para o uso doméstico: Nos alagamentos, o sistema doméstico de armazenamento de água pode ser contaminado, sendo necessária sua desinfecção. A limpeza dos reservatórios é necessária, mesmo quando os mesmos não são atingidos diretamente pela água da enchente.

Para limpar e desinfetar o reservatório (caixa d’água) recomenda-se:

– Esvaziar a caixa d’água completamente e lavá-la, esfregando bem as paredes e o fundo. Retire toda a sujeira, utilizando pá, balde e panos. Não esquecer que se deve usar botas de borracha e luvas nesta atividade;
– Após concluída a limpeza, colocar 1 litro de água sanitária para cada 1 mil litros de água do reservatório;
– Abrir a entrada para encher a caixa com água limpa;
– Após 30 minutos, abrir as torneiras por alguns segundos, com vistas à entrada da água com solução na tubulação doméstica;
– Aguardar 4 horas para a desinfecção do reservatório e canalizações;
– Abrir as torneiras, podendo aproveitar a água para limpeza em geral de chão e paredes.

Cuidados na limpeza da lama residual.

A lama dos alagamentos tem alto poder infectante e nestas ocasiões fica aderida aos móveis, paredes e chão. Recomenda-se então retirar essa lama (sempre se protegendo com luvas e botas de borracha) e lavar o local, desinfetando-o a seguir com uma solução de água sanitária na seguinte proporção: para um balde de 20 litros de água, adicionar quatro xícaras de café (copinhos de 50 ml) de água sanitária.

Cuidados com os alimentos.

É essencial a atenção aos alimentos que entraram em contato com as águas de alagamento, pois poderão ser contaminados. O ideal como prevenção é armazená-los em locais elevados, acima do nível das águas. Se isto não for possível, recomenda-se:

– Manter os alimentos devidamente acondicionados, fora do alcance de roedores, insetos ou outros animais;
– Lavar frequentemente as mãos com água tratada antes de manipular os alimentos;
– Frutas em geral, verduras, legumes, arroz, feijão, soja, ervilha, entre outros, devem ser inutilizados, pois sofrem transformações quando em contato com a água de enchente;
– Carnes, peixes, leite, ovos, pão, açúcar, café, manteiga, também devem ser inutilizados, pois se contaminam facilmente pelas águas, além da natureza de suas embalagens, que geralmente são de plástico ou papel; portanto, é perigosa qualquer tentativa de aproveitamento dos mesmos.
– Linguiça, mortadela, queijos, e derivados, deverão ser também inutilizados após o contato com a água, pois sua contaminação é total devido ao tipo de embalagem, geralmente de plástico ou papel;
– As latas que estiverem amassadas, enferrujadas ou semiabertas deverão ser inutilizadas, porém, as que permanecerem em bom estado e onde se tem certeza de que não houve contato da água com os alimentos nelas contidos, poderão ser lavadas com uma solução de água sanitária na proporção de 1/100, preparada do seguinte modo: 1 litro de água sanitária para 100 litros de água, ou ½ litro de água sanitária para 50 litros de água, ou ¼ litro de água sanitária para 25 litros de água.

Medidas de prevenção.

– Não jogar lixo ou objetos nos rios. Isso represa as águas, e com a chuva pode causar enchentes;
– Evite contato com água e lama de enchentes e impeça que as crianças nadem ou brinquem nesses ambientes;
– Evitar contato com água e lama, usando sempre botas e luvas de borracha, ou sacos plásticos amarrados nos pés e nos braços;
– Colocar o lixo em sacos plásticos e em recipientes tampados, para evitar a proliferação de ratos e deixar para coleta pouco antes de o lixeiro passar;
– Todo alimento exposto à água contaminada deve ser jogado fora;
– Ferver e filtrar a água de beber;
– Manter os quintais sempre limpos, evitando acumular entulhos que favoreçam o esconderijo de ratos;
– Guardar os alimentos em lugares secos e dentro de recipientes fechados;
– Colocar telas nos ralos para evitar o acesso de roedores;
– Solicitar água da empresa distribuidora de água no caso de desabastecimento.

fonte: Secretaria Estadual de Saúde do ES

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